Citação

"Só queria que você soubesse que tudo aquilo que aprendeu comigo não vai ser fácil de encontrar nos livros e em outros corpos sem direção... E não vai achar em nenhum lugar encaixe tão complexo assim! Quando a noite passar e tudo acabar, eu estarei aqui"
Strike
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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Quando não existem “meios termos”

Temos medo da mudança, apesar dela ser extremamente necessária! Mudanças nos tiram da nossa zona de conforto, nos move! E devemos mover, mesmo com medo. O tempo mostrará que nada é tão avassalador assim, e nenhum fardo será maior do que nossas forças. Somos muito mais capazes do que imaginamos! 


Um conselho bastante genérico, não é? Se encaixa em praticamente qualquer âmbito de nossas vidas, mas aqui focarei nos relacionamentos (como de praxe por aqui!). 


Sair da nossa zona de conforto do relacionamento estável e pacífico é um desafio impressionante! Pior cenário que esse é embarcar em novas aventuras, aventuras aparentemente promissoras, que podem render frutos... Será mesmo!?? (Típica perguntinha ordinária).

Sair da posiçao de apaixonante para apaixonado. É assustador! 


Acho que todos já estivemos nessa posição, e nos sentimos perdidos... As intenções do outro é terra que não habitamos, que não conhecemos, e ficamos a deriva... Vulneráveis principalmente às expectativas. 


Há dois caminhos possíveis: 

Ou você se blinda, ou você se entrega. Não consigo pensar em “meios termos”. 


Certamente que não é uma escolha simples, uma vez que o que está em jogo de mais importante é a nossa felicidade e paz de espírito. 


Queremos viver a felicidade em constância, mas nossa mente trabalha no caminho oposto, com o intuito de “nos proteger” dos nossos próprios anseios, uma vez que tudo é tão novo e desconhecido - mesmo que alguma vez já tenha vivido algum estado de paixão, quando ela acontece com outra pessoa, é tudo novo, de novo! 


Decida se você prefere viver o momento intensamente, independente de qualquer outra coisa, ou se prefere pisar no freio, e não saber o que poderia ter acontecido se tivesse ido beber dessa água com “sede ao pote”! 


Vida é tentativa e erro! É se arriscar! E arriscar é viver! 

Podemos sofrer igual dois cachorros, mas podemos ter experiências únicas e ineditas! 


E na pior das hipóteses, amanhã fará dois dias! ✌️


Att.,

Ruth Cecily

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Auto sabotagem


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQyDId2HGFRx6eWfWJRYCIgpD6o2dylnpd8HMcKEFEN-huZAyhg7XUXxWX6hHQ3kz251PnR9cKGF8HS_myy8qasD8F_BZnwr8LWFgG7JrEIWQLs1eA1dGwGkxY_D4Qs0ZBgWZdxk04kDA/s1600/1.JPG

São extremamente curiosos os caminhos assumidos pelo coração.
Você programa sua mente para o sucesso e prosperidade – estudar, obter uma carreira promissora, encontrar um homem companheiro igualmente trabalhador, que lhe acompanhe em sua caminhada, cresça junto e compartilhe das mesmas ambições. Assim ele se casa com você e juntos constituirão uma prole saudável e fielmente ajustada aos seus planos. Um casamento estável, uma família linda e totalmente autossustentável que faz jus às propagandas televisivas das empresas de perfumes, agências bancárias e afins... Ou seja, uma vida impecavelmente confortável.
Não seria perfeito?

Aí entra o seu coração, e se apaixona pelo primeiro ordinário que te der uma chave de pescoço e um beijo enlouquecedor que faz seu mundo parar por instantes e sua memória se prender àquele momento por um bom tempo.
É impressionante como isso é comum. Às vezes, estamos inclusive nos relacionando com uma pessoa bacana, que nos valoriza, que claramente gosta da gente e está disposta a nos proporcionar muitas coisas boas, mas não conseguimos nos entregar, ou porque o sentimento não é recíproco na mesma intensidade, ou porque o pensamento está em outra pessoa, ou pelo puro e famoso “fogo no cú”!

Chamo esse fenômeno de “auto sabotagem”. Semelhante àquela de comer um chocolatinho escondido durante uma dieta, ou fingir que concluiu uma série de exercícios na academia, ou varrer a sujerinha do chão para debaixo do tapete fazendo parecer que está tudo limpinho... É tentar enganar a você mesmo! 

"Quando somos nós que contribuímos inconscientemente para que tudo aconteça de errado, dá-se o nome a isto de auto sabotagem ou auto boicote."
http://www.psicorientacao.com/auto-sabotagem 
Vários são os exemplos de auto sabotagem, e afirmo com certeza que gostar mais de quem não gosta tanto assim da gente é um exemplo CLÁSSICO!

Ora, todo mundo espera uma recíproca verdadeira. Todo mundo procura aquilo que mais lhe convém. Todo mundo curte uma liberdade de escolha compatível com os desejos. Todo mundo quer o que quer! Muitos, a qualquer custo, outros desistem pelo cansaço... Enfim, o que quero dizer é que seria muito bom se o mundo fosse moldado a nossa vontade. Inspirado e desenhado de acordo com nossos interesses e gostos, inclusive aqueles peculiares. Nesses termos, o “paraíso” nem seria assim denominado, e não haveria sentido nenhum nessa palavra. Talvez, numa hipotética realidade assim, acredito que buscar a infelicidade seria um novo objetivo de vida para sair de uma rotina perfeita.

O que concluo de toda essa filosofia de “buteco” é que o ser humano infelizmente nunca está satisfeito. Se adquire uma coisa que há muito queria, por exemplo, logo já almeja aquela outra coisa, melhor, diferente da que tem. O famoso ditado “a grama do vizinho é mais verde”. Essa cultura provavelmente nasceu com o capitalismo exacerbado que vivemos hoje. E sim, se tornou “cultura”, pois é um comportamento absolutamente comum da maioria das pessoas.

O que devemos refletir a partir disso é que, mesmo que o assunto deste texto tenha se iniciado pelo tema relacionamento e se transformado em capitalismo, nada mais é que uma lógica comum a ambos: o desejo pelo que não possuímos.

Precisamos aprender a dar valor àquilo que temos, às pessoas que nos querem e nos fazem bem. Dar oportunidade a elas de mostrarem o quanto podem fazer por nós e o que nós podemos fazer por elas. O verdadeiro amor é construído! Tanto aquele avassalador, que nasceu do desejo, quanto àquele que não havia reciprocidade mútua a princípio (redundância proposital!). Precisamos entender que a vida é muito curta pra vivermos levianamente e desperdiçando oportunidades que podem ser únicas. E a magia de “ser” humano é se relacionar e interagir com outros humanos, afinal, ninguém consegue viver sozinho.

Dê oportunidades! Permita-se sentir! Abra o seu coração a novas possibilidades. Esteja inteiro em suas relações. VIVA! NÃO SE PRENDA, a menos que tenha certeza que seja a pessoa certa. Se descobriu que aquela não é, parta pra outra! A vida é uma só, e particularmente considero um desperdício quando ela não é vivida intensamente.


Ruth Cecily

sábado, 9 de maio de 2015

Troco meu bolo de casamento por um brigadeiro de panela



Não gosto de glacê e nem de pasta americana. Apesar de ser muito bonito, elaborado e personalizado, sempre peca no sabor. Também não tenho louça de porcelana de luxo para fazer jus à essa perfeição estética. Sem contar o preço que estes engenheiros da confeitaria cobram pra levantar dois andares de isopor e um de bolo de verdade. E, mesmo assim, acaba sendo muita coisa pra duas pessoas. Minha geladeira é de solteiro e não cabem os restos. Ah, e sequer tenho espaço no móvel da sala para colocar os noivinhos, reproduzidos à minha semelhança em cabeções de biscuit. Em compensação, tenho um armário satisfatório de panelas, que suportaria tranquilamente empilhar mais uma. Ela teria um lugar reservado de fácil acesso para eu ter em mãos sempre que fosse receber uma visita credenciada a esquentar meu pé gelado, embaixo de um edredom em dia chuvoso. Desconheço alguém que não se renda a um brigadeiro nesta circunstância. Eu não só me rendo, como troco, sem pensar duas vezes, o meu futuro bolo de casamento por porções vitalícias de leite condensado com Toddy e manteiga. Ainda mando vestido de noiva, decoração da festa e convites de brinde para quem quiser entrar no negócio. Não me entenda mal. Não é que eu abomine casamentos. Só acho que o 'felizes para sempre', que segue o 'pode beijar a noiva', não é uma verdade absoluta. Cansei de ver solidão em casais oficializados pelos votos do matrimônio e união exemplar em outros, julgados por viverem na informalidade social. Mesmo sabendo que existem exceções (e este texto não é para elas), nunca fui adepta a fórmulas. Para mim, valem mais as experiências curtas e intensas, do que a estabilidade duradoura e fria. Essas mesmas, entre duas pessoas, que ficam cada vez mais escassas quando as regras do Manual de Instruções para Casados entram em vigor. Uma tarde de inverno, TV ligada na Sessão da Tarde e uma panela de brigadeiro quente para dois. Simplicidade que agrada ou trivialidade que irrita. Depende de quem interpreta. Desculpem-me os especialistas em bolos de casamento, mas, para esta solteira aqui, vocês jamais conseguirão superar o toque do chocolate queimando a língua de quem não aguentou esperar pra lamber a colher. Não há frutinhas exóticas, recheios com ingredientes selecionados ou uma massa leve como algodão doce que tire o meu prazer de detonar uma panela cheia de brigadeiro. Porque o que faz dele especial é justamente o fato de que poucos e simples itens são o necessário para produzir aquele sabor sensacional, degustável com prazer por todo mundo. Na minha concepção, ele é a incorporação gastronômica de como deve ser o amor. Fundamentado na essência de quem o compõe e não na estética do produto final, ostentável em redes sociais e mesas de almoços familiares. Seja dividido entre namorados, amigos coloridos, enrolados, ou quaisquer outros dentre os infindáveis tipos de relações, ele é a representação da única coisa que mantém os amantes conectados: o sentimento puro e cru. Função que uma aliança dourada e um contrato não têm conseguido desempenhar perfeitamente bem. E daí se ele tem potencial para ser efêmero? Quem se dispõe a degustá-lo tem a garantia de que fará bom proveito até a última colherada. Não importa a quantidade. Além do mais, a graça do brigadeiro está aí. Ele não sobra. Sempre é feito na medida para faltar e provocar reencontros. Mas não reencontros obrigatórios por imposição ou por consciência. Quem volta para mais panelada, volta porque quer. Sem neuras e sem responsabilidades. Volta porque curtiu a essência e não porque precisa da convenção. Simplória, eu? Talvez. Hum... Eu diria também: econômica, prática e um tanto egoísta, mas sonhadora. Afinal, que mulher não faz planos para o tão esperado dia de suas vidas? A diferença é que o meu troca o altar por uma viagem histórica pela Alemanha, bancada com os muitos reais que seriam gastos na recepção dos convidados. Acompanhada ou sozinha, não importa. Seria como uma lua de mel comigo mesma, mas menos doce que mel, e tão afrodisíaco quanto um casual e simples brigadeiro. 


Tetê Magnani

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Desculpa, mas eu não sou sua princesa



Não uso coroa, não tenho um castelo e não pretendo me casar. Os filmes da Disney, que eu assistia quando era criança, só serviram pra me fazer ter certeza que eu não queria ser aquela figura patética que vê a vida passar em cima de uma torre. Na verdade, nem se eu quisesse, eu seria. Você deveria ter sacado quando viu que não me pareço esteticamente com uma. Enquanto você me esperava todos os dias com cabelo milimetricamente moldado em gel e roupas de marca exalando a melhor fragrância Dior, eu aparecia sem unha feita, cabelo seco ao vento e sem uma base no rosto. Não tenho tempo, dinheiro e nem disposição para mudar isso. Prefiro sair na rua igual uma mendiga atropelada por um bode para ter mais uma hora de sono, especialmente no inverno. Prefiro torrar meu dinheiro comendo o suficiente para não conseguir andar pelos próximos 30 minutos, do que fritando minha cabeça literalmente em um secador e metaforicamente com fofoca de salão. Sim, comia igual a uma vassala, inclusive na frente dos seus convidados. E ostentava com louvor meus culotes conquistados com duras semanas de quebras de dieta com chocolates de todas as espécies. Mas era melhor do que quando eu cismava de cozinhar um prato para comemorar alguma data comercialmente memorável e você esboçava, em semblante contraditório, o quanto tinha gostado. Eu nunca serei a Cinderela que sua mãe espera pra você. Além de não saber cozinhar, não domino a arte de varrer, não sei a diferença entre marca de sabão em pó, e minhas roupas saem mais amarrotadas do que antes de eu me dispor a passar. Ah, e tem a sua mãe! Vocês dois entravam em consenso com frequência ao meu respeito, não é?! Poderiam até me chamar para a discussão. Eu concordaria em grande parte, especialmente com o tópico que falava da minha falta de meiguice. Hoje, ofereço até provas. O quadro rosa que você me deu para pendurar no meu quarto preto e branco não sumiu. Eu dei ele de presente de 15 anos pra uma prima distante. Ah! Lembra do Fofinho, cachorro de pelúcia que você me deu já batizado? Eu chamava ele de Ares, quando você não estava perto. E quando sua mãe vinha me mostrar fotos suas de infância? Eu me segurava para não zoar seu cabelo ridículo que ela penteava ao estilo Zacarias, e me limitava falsamente a "Que gracinha! Parece um anjinho nessa versão miniatura! Tomara que nosso filho seja assim (e cresça longe de você)". Nunca vou esquecer quando ela ouviu o meu primeiro 'Puta que pariu!', dito com a boca cheia porque a TV parou de pegar na hora da reportagem sobre o Centenário da I Guerra Mundial. Soltei mentalmente um “puta caralho” quando soube que o filho duma quenga do seu primo tinha chutado a porra do fio daquela merda de televisão. Ainda bem que ela não lia mentes. Se lesse, travaríamos uma disputa telepática sobre o politicamente correto que ela defende e que eu, simultaneamente, abomino. E não foi uma reação desproporcional. Você sabe que eu adoro guerra. Até tinha que esconder os DVDs do “Bastardos Inglórios” e “Operação Valquíria”, pra me convencer a ver P.S Eu te Amo! E não me venha com hipocrisia. Embora reclamasse que eu tratava as nossas D.R's como estratégias de combate, adorava o cessar fogo, que só fazia explodir o que tinha sobrado de nossa integridade física. No dia seguinte, ainda quando você estava dormindo, eu levantava pé ante pé, para fazer o que encabeça minha lista de coisas indispensáveis: meu trabalho. Sim, o que paga mal e que ocupa meu tempo disponível para colher flores no bosque pra você. Mas o mesmo que me dava poder no inicio do mês de torrar o meu dinheiro sem te dar satisfação. Meu bem, eu não tenho vocação pra cuidar da casa e usufruir do salário alheio. Até porque, você não entenderia, como nunca entendeu, a minha necessidade de gastar metade dele com ingressos de jogos de futebol e não com lençóis de fio egípcio pra nossa cama. E não aceitava tampouco que o estádio é a minha independência do mundo, e que, se você não estivesse na arquibancada do meu lado, não ia receber a atenção que esperava. Da mesma forma que cobrava mais que monossílabos quando eu estivesse lendo uma análise esquerdista das eleições ou de mais um projeto de lei absurdo prestes a ser votado no Congresso. Fato é que você nunca aceitou muito bem a ideia de que a hipótese da aprovação da redução da maioridade penal me deixava mais apreensiva do que a de você sair com seus amigos depois de brigar comigo por algum motivo idiota. Bem que eu poderia recusar o seu convite para passar férias em Miami, para ficar aqui, na rua, com bandeiras em punho sem hora pra voltar pra casa. Não tinha jeito de dar certo mesmo. E a minha responsabilidade nesse desfecho de insucesso não é o fato de eu saber que não era a princesa que você achava e não ter te contado. A minha culpa é por não ter reconhecido que eu que não queria um príncipe. Eu queria o cavaleiro sem sangue azul. Que chega sujo em casa depois de um dia de trabalho. Que entende o que eu quero dizer, sem censurar minhas palavras. Que acha minha pipoca de microondas a melhor de todos os tempos. Que não enxerga minhas estrias e é autossuficiente para não precisar dos meus serviços de casa. Que tem espírito de luta e segura minha mão na batalha contra o conformismo. E, especialmente, que não acredita em estereótipos e muito menos em contos de fadas.

Tetê Magnani

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A razão para você ainda não ter encontrado sua alma gêmea...



...É simples: ela não existe. E não é porque ela ainda não nasceu, ou porque vocês não se encontraram, ou porque ela está com outras prioridades no momento. Ela não existe agora, não existiu no passado e nem vai existir no futuro. Desculpe desiludir o seu lindo sonho de infância de conhecer a pessoa predestinada para você desde outras encarnações. As teorias de alma gêmea, amor da vida, pé e sapato, metade da laranja e tampa da panela foram criadas para transferir para o tão atarefado Deus mais uma responsabilidade que o ser humano se acha incapaz de cumprir sozinho: encontrar outro que o faça feliz. 

Com fórmulas prontas tudo fica mais fácil. Basta esperar que o destino coloque em sua vida o alguém que vai aceitar todos os seus ataques de stress matinais, achar sexy o seu desleixo com a aparência, conviver bem com sua mãe emocionalmente instável e que não vai ligar de percorrer a distância do Oiapoque ao Chuí para te ver. Aliás, ele vai amar fazer isso, afinal estamos falando de um sentimento incondicional. Ninguém sabe de onde, como e porque veio, mas sabe que as partes afetadas serão felizes para sempre por causa dele. 

Você está perdoada de ter acreditado nesta história até completar seus quinze anos, quando usou um vestido em formato de bolo para se sentir a Cinderela no seu baile. No dia seguinte, quando acordou e percebeu que não existiam abóboras, sapatinhos e castelos, já deveria ter caído na real de que esta teoria é falha. Você nunca achou estranho o fato de o príncipe ter pedido a Cinderela em casamento apenas baseado em um pequeno instante de troca de olhares? Ou de o Phillip ter acreditado em três fadas, que o usaram como bode expiatório para limpar a merda que fizeram, enfrentando um dragão para salvar uma conhecida camponesa que pegou no sono? E de o príncipe da Branca de Neve ter se apaixonado a ponto de beijar um cadáver só porque cantarolou com ela uma cantiguinha barata de amor? Não? Pois procure um psicólogo.

Enquanto nas mãos de Walt Disney, eles são os estereótipos desta teoria de alma gêmea, na vida real eles não passam de um carente desesperado para casar, um bobo influenciável e um necrófilo. Eu, pelo menos, correria maratonas de distância dos três. Esta incondicionalidade não faz o menor sentido para mim. Porque o 'gostar' e o 'não gostar' são consequências. Eles só podem existir se houver motivo/condição. Eu não gosto de jiló porque é muito amargo e gosto de chocolate ao leite porque é doce na medida aceitável do meu paladar. Para gostar de pessoas é a mesma coisa. É necessário conhecer. Eu não confiaria em alguém que se declarasse apaixonado por mim sem antes se assustar com meus defeitos ou admirar minhas qualidades. Um cara desses se desapaixonaria e arrumaria outra com a mesma facilidade. O conceito de personalidade cairia por terra. Pra que ter particularidades pessoais se elas não são quesitos de atração? É mais prático todos seguirem um padrão. 

Nesta história toda de alma gêmea, existe tampouco o que eu acho fundamental em relacionamentos: o poder de escolha. Ora, e se o destino simplesmente resolve que o amor da minha vida é um serial killer de esposas, ao estilo Barba Azul? Eu teria que aceitar e esperar pela minha morte? Não, meus amigos. Se tem uma coisa da qual eu não abro mão é de optar pelo que acho melhor para mim. Gosto de ser a senhora da minha vida ao invés de deixar meus planos nas linhas escritas de um livro imaginário. Avalio prós e contras, vantagens e desvantagens, bônus e ônus, qualidades e defeitos e o que mais for preciso para me envolver com alguém. E isso não quer dizer que faço tudo de forma racional. Meu coração, ou sei lá que parte de mim é responsável pelo 'gostar', é seletivo por natureza, de acordo com o ambiente em que vivo, a educação que tive, a cultura na qual estou inserida. 

E o melhor nisso tudo é que este poder de escolha endossa uma das maiores convicções que tenho: ninguém é insubstituível. Ninguém é bom o suficiente para não ter seu lugar ocupado por outro. As pessoas são diferentes. Ainda bem! Suprem e faltam em coisas diferentes. Relacionamento é feito por duas pessoas (que me perdoem pela generalização os mais modernos) e o resultado nunca é igual. Ou seja, se você juntar o vermelho com o amarelo, o produto será laranja. Mas, embora seja o mesmo vermelho, quando misturado com o azul, o resultado será outro. Ainda bem também! Porque viver em um mundo monocromático é chato, sem graça, não te permite formar bagagem e evoluir em sequência. 

O que falta, na minha mera opinião de solteira, mas convicta, é as pessoas tomarem as rédeas de seus planos e irem a campo de batalha para executá-los. Sair da inércia de esperar que os outros, divindades, estrelas, o destino ou o universo definam desfechos em suas vidas. É não esperar, como dito nas primeiras linhas deste texto, o alguém que lhes faça feliz, mas conquistar o alguém capaz de tornar sua luta diária mais prazerosa.

Tetê Magnani

terça-feira, 31 de março de 2015

MENOS RÓTULOS, MAIS SENTIMENTO


Relacionamento deveria vir com informações explícitas sobre seu uso. Uma espécie de tabela nutricional com a descrição fiel da quantidade de ciúme, carência, mau-humor, manias, racionalidade, passionalidade e demais fatores inerentes a seres humanos em convívio. Logo ao lado, para que a correlação fosse feita de forma prática e sem deixar dúvidas, uma lista dos ingredientes usados para chegar ao produto final: número de ligações diárias, o tanto de ex-namorados solteiros, dose de saídas com amigos, disposição financeira para gastar em encontros, estimativa de DR's permitidas, e a proporção de foda selvagem e sexo com amor. Na frente, a quantidade em meses que irá durar, para ser acompanhada junto com a embalagem transparente que não deixa dúvida de que a relação já está no final. Em cima, o nome do fabricante, afinal a procedência é fundamental, considerando que um fornecedor pode arrasar com uma compra pelo simples fato de não querer entregar o produto conforme o combinado. E bem no meio, ocupando 90% do espaço restante, uma foto tratada em última versão do Photoshop para convencer que, mesmo se as calorias ofertadas de encheção de saco forem mais altas que o disposto pelas partes a consumir, vale a pena tentar pelos olhos verdes e o sorriso safado.
Isso garantiria o fim do sofrimento, das noites mal dormidas, dos nós na garganta, das explicações de término para familiares e um novo rótulo para você: o de eterno mal comido. E quando eu uso este termo, não me refiro só a sexo e nem ao gênero feminino ou qualquer outro que não goste de meter. O mal comido é qualquer pessoa que está eternamente insatisfeita com relacionamentos, porque deixa de viver a essência para burocratizar o sentir. Para ele, importa menos o produto que está sendo adquirido e mais o rótulo social que estampa os perfis do Facebook numa tentativa de afirmar a boa compra. É aquele que cresceu, não desacreditou em contos de fadas e estabeleceu como um dos principais objetivos de vida recrutar alguém para ocupar o posto de príncipe/princesa.
Com o encarte em mãos, naturalmente esta categoria é atraída pela primeira impressão do belo, depois é que o custo-benefício é pesado. Nesta segunda etapa, levantam-se informações como vida útil, função, se é de primeira ou segunda mão e demais especificidades da vida do indivíduo que nunca correspondem à realidade. Uma seleção superficial de pretendentes, baseada em opiniões de ex e potenciais consumidores. E é aí que está o erro, pelo menos na minha concepção. Nada de conhecer o outro a fundo, indo in loco e abusando do empirismo dos encontros sem compromisso. Nada de test-drive! O mal comido paga para ver. E paga caro pelo título de casado e, em breve, pelo de divorciado.
Você, assim como eu, provavelmente deve conhecer alguém que troca de namorado(a) igual troca de roupa e nunca entende porque suas relações não vão para frente. Sou capaz de apostar que antes de atestar se o outro tem atributos íntimos em tamanho nano, cicatrizes adquiridas em alguma briga por ciúmes, ocorrência por pequeno furto,ou nome vitalício no SPC, esta pessoa já está se imaginando sendo feliz para sempre deitada de conchinha assistindo Domingão do Faustão e comendo uma pizza. Antes de a massa do bolo, feita com todos os ingredientes que ela considera ideais, ficar pronta, ela já está escolhendo a fôrma social para padronizar o relacionamento! O resultado é um bolo bonito para impressionar os amigos no Instagram, mas com um gosto horrível suportado pelo casal até quando o estômago aguentar. 
Eu pergunto: qual é a lógica disso? As pessoas se dispõem a viver relações infelizes para se encaixar em um padrão de felicidade social. Para mim, esta é a maior incoerência do ser humano do mundo contemporâneo, onde, teoricamente, temos liberdade para sermos quem quisermos. Eu sou adepta ferrenha da abolição dos rótulos. Um status de enrolado, amizade colorida, namorado, noivo, casado, divorciado ou o diabo à quatro, nunca foi e nunca será capaz de descrever o que é o meu sentir. Porque estas coisas não são mensuráveis, são apenas vividas. Sou militante do relacionamento sem compromisso, aquele que acontece porque existe sintonia, química e desejo. Em que não há regras e responsabilidades moralmente aceitáveis, senão as que ambos instituem em consenso. Circunstância na qual o sentimento não tem limites, escalas ou barreiras que não sejam o respeito e a consideração.
Eu sou a favor do descompromisso com tudo que burocratize o que é para ser sentido. No meu relacionamento ideal, os encontros semanais seriam substituídos pelos encontros motivados pela vontade de ver o outro. As comemorações de datas comerciais e aniversários seriam deslocadas no calendário para os dias em que ambos estivessem dispostos a fazer alguma coisa de diferente simplesmente porque deu vontade. As alianças e flores seriam trocadas pelo conforto de um abraço em um momento ruim. Os encontros com os amigos seriam menos demonizados e mais frequentes. Os sonhos individuais, quando não pudessem ser vividos junto, seriam incentivados e apoiados, sem gaiolas ou podas egoístas e vaidosas.
Particularmente, não tenho a menor pretensão de assumir um relacionamento sério por um bom tempo. Acredito que este será o meu posicionamento até que alguém me prove o contrário. A receita é simples, se dispor a me conhecer a fundo, sem pressões e padrões. Errar erros reais e não pisar em ovos para corresponder a um perfil. Pagar pelas qualidades e pelos defeitos, com o que vier de brinde. E estar ciente que, se não for o que EU espero, não terá lugar na minha prateleira, afinal, eu só confio na garantia atestada pelos meus próprios sentidos.
Tetê Magnani

terça-feira, 13 de maio de 2014

Breaking The Habit!


Quebrando o hábito!


Essa música não poderia ter vindo na minha cabeça em momento mais conveniente que esse! 


Sabe quando você descobre que é disso que você precisa em todos os aspectos da sua vida?!

Quebrar os hábitos! Se renovar, virar a página, move on!!

Sempre que nos vemos caindo, é porque nossos hábitos se tornaram velhos, e destrutivos. A confortável posição de não sair do lugar, viver a vida do modo como ela nos apresenta, sem buscar nada além, sem preocupar com a saúde (física, mental, emocional, espiritual...), simplesmente esperando o encontro com a morte. Não dá!


Velhos hábitos, velhas apostas, velhos sentimentos, que perduraram por tempo demais, e você não vê a hora de tudo mudar, mas não tem coragem o suficiente, porque "desse jeito ta bom, dá pra viver assim por um tempo ainda." POR QUANTO TEMPO? Não dá pra viver assim nem mais um minuto!!


Dê abertura a novos hábitos, novas apostas, novos sentimentos! Saia da confortável posição de esperar, saia da inércia, permita-se!!!! Não tenha medo de mudanças!


Não pense que tem tanto a perder, pense no tanto que tem a ganhar! 
Não pense no tanto que poderá sofrer, pense no quão pode ser compensador e libertador!
Não pense que o que está ruim pode piorar, pense que todo avanço, todo movimento só pode ser benéfico!
Não pense !!!

Chega! Coloque um basta em tudo aquilo que anda te consumindo, em tudo aquilo que anda te fazendo mal, impedindo sua felicidade, simplesmente coloque um fim! Tenhamos maturidade e discernimento para distinguir aquilo que vale a pena lutar daquilo que nos engana... 

Tente se renovar! Tente um novo ponto de vista, tente!

Mas lembre-se que isso não significa esquecer o que passou, pelo contrário, devemos valorizar! Toda experiência é enriquecedora para nossa vida, serve de aprendizado e crescimento! Mas quando chega a hora de mudar, não exite, não relute, siga seu caminho! u.u''



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Pedaço de Felicidade



"Ontem gastei todo o meu dinheiro e comprei um terreno em marte. Eis a foto cedida pela NASA do meu pedaço de felicidade. Sem gente, sem bicho, sem planta, sem nada. Eu e a imaginação poética vamos morar no sideral grandão, no vazio, no infinito. Pretendo não manter mais contato com os tolos, nem com os que habitam minha mente em memória de estúpidos convívios do passado. Adeus!" 
Blog do Pedro