Citação

"Só queria que você soubesse que tudo aquilo que aprendeu comigo não vai ser fácil de encontrar nos livros e em outros corpos sem direção... E não vai achar em nenhum lugar encaixe tão complexo assim! Quando a noite passar e tudo acabar, eu estarei aqui"
Strike
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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Quando não existem “meios termos”

Temos medo da mudança, apesar dela ser extremamente necessária! Mudanças nos tiram da nossa zona de conforto, nos move! E devemos mover, mesmo com medo. O tempo mostrará que nada é tão avassalador assim, e nenhum fardo será maior do que nossas forças. Somos muito mais capazes do que imaginamos! 


Um conselho bastante genérico, não é? Se encaixa em praticamente qualquer âmbito de nossas vidas, mas aqui focarei nos relacionamentos (como de praxe por aqui!). 


Sair da nossa zona de conforto do relacionamento estável e pacífico é um desafio impressionante! Pior cenário que esse é embarcar em novas aventuras, aventuras aparentemente promissoras, que podem render frutos... Será mesmo!?? (Típica perguntinha ordinária).

Sair da posiçao de apaixonante para apaixonado. É assustador! 


Acho que todos já estivemos nessa posição, e nos sentimos perdidos... As intenções do outro é terra que não habitamos, que não conhecemos, e ficamos a deriva... Vulneráveis principalmente às expectativas. 


Há dois caminhos possíveis: 

Ou você se blinda, ou você se entrega. Não consigo pensar em “meios termos”. 


Certamente que não é uma escolha simples, uma vez que o que está em jogo de mais importante é a nossa felicidade e paz de espírito. 


Queremos viver a felicidade em constância, mas nossa mente trabalha no caminho oposto, com o intuito de “nos proteger” dos nossos próprios anseios, uma vez que tudo é tão novo e desconhecido - mesmo que alguma vez já tenha vivido algum estado de paixão, quando ela acontece com outra pessoa, é tudo novo, de novo! 


Decida se você prefere viver o momento intensamente, independente de qualquer outra coisa, ou se prefere pisar no freio, e não saber o que poderia ter acontecido se tivesse ido beber dessa água com “sede ao pote”! 


Vida é tentativa e erro! É se arriscar! E arriscar é viver! 

Podemos sofrer igual dois cachorros, mas podemos ter experiências únicas e ineditas! 


E na pior das hipóteses, amanhã fará dois dias! ✌️


Att.,

Ruth Cecily

domingo, 18 de agosto de 2013

Serão os ventos de agosto?



Sinto uma onda negativa no ar... Que vem pesando as vidas, os pensamentos... E a única vontade que se tem é sentar e chorar todas as lágrimas que há muito se acumularam. 

Essa onda parece ter vindo com os ventos fortes de agosto, mas certamente essa maldita onda veio ainda mais forte que os ventos... Onda destrutiva, desorientadora, que conseguiu de maneira impecável acabar com a alegria de muitos dias e com o sono de muitas noites. 

Não, ainda não foi definida uma causa. Por que justamente nessa época? Será que vai se prolongar? Quando vai passar? E quando acabar, será que um dia vai voltar? [...]

Perguntas sem respostas, e uma causa totalmente vazia. Talvez se trate apenas de mais uma das infindáveis ironias da vida.

E pensando numa maneira de superar tudo isso, encontrei um conselho sensato que muito bem se encaixou nesse contexto e nos prova mais uma vez que independente das nossas angustias e agonias, não estamos sozinhos e sempre haverá uma solução criativa!

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros angúrios, premonições. [...]

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. [...] Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.
Caio Fernando de Abreu