Citação

"Só queria que você soubesse que tudo aquilo que aprendeu comigo não vai ser fácil de encontrar nos livros e em outros corpos sem direção... E não vai achar em nenhum lugar encaixe tão complexo assim! Quando a noite passar e tudo acabar, eu estarei aqui"
Strike
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Auto sabotagem


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São extremamente curiosos os caminhos assumidos pelo coração.
Você programa sua mente para o sucesso e prosperidade – estudar, obter uma carreira promissora, encontrar um homem companheiro igualmente trabalhador, que lhe acompanhe em sua caminhada, cresça junto e compartilhe das mesmas ambições. Assim ele se casa com você e juntos constituirão uma prole saudável e fielmente ajustada aos seus planos. Um casamento estável, uma família linda e totalmente autossustentável que faz jus às propagandas televisivas das empresas de perfumes, agências bancárias e afins... Ou seja, uma vida impecavelmente confortável.
Não seria perfeito?

Aí entra o seu coração, e se apaixona pelo primeiro ordinário que te der uma chave de pescoço e um beijo enlouquecedor que faz seu mundo parar por instantes e sua memória se prender àquele momento por um bom tempo.
É impressionante como isso é comum. Às vezes, estamos inclusive nos relacionando com uma pessoa bacana, que nos valoriza, que claramente gosta da gente e está disposta a nos proporcionar muitas coisas boas, mas não conseguimos nos entregar, ou porque o sentimento não é recíproco na mesma intensidade, ou porque o pensamento está em outra pessoa, ou pelo puro e famoso “fogo no cú”!

Chamo esse fenômeno de “auto sabotagem”. Semelhante àquela de comer um chocolatinho escondido durante uma dieta, ou fingir que concluiu uma série de exercícios na academia, ou varrer a sujerinha do chão para debaixo do tapete fazendo parecer que está tudo limpinho... É tentar enganar a você mesmo! 

"Quando somos nós que contribuímos inconscientemente para que tudo aconteça de errado, dá-se o nome a isto de auto sabotagem ou auto boicote."
http://www.psicorientacao.com/auto-sabotagem 
Vários são os exemplos de auto sabotagem, e afirmo com certeza que gostar mais de quem não gosta tanto assim da gente é um exemplo CLÁSSICO!

Ora, todo mundo espera uma recíproca verdadeira. Todo mundo procura aquilo que mais lhe convém. Todo mundo curte uma liberdade de escolha compatível com os desejos. Todo mundo quer o que quer! Muitos, a qualquer custo, outros desistem pelo cansaço... Enfim, o que quero dizer é que seria muito bom se o mundo fosse moldado a nossa vontade. Inspirado e desenhado de acordo com nossos interesses e gostos, inclusive aqueles peculiares. Nesses termos, o “paraíso” nem seria assim denominado, e não haveria sentido nenhum nessa palavra. Talvez, numa hipotética realidade assim, acredito que buscar a infelicidade seria um novo objetivo de vida para sair de uma rotina perfeita.

O que concluo de toda essa filosofia de “buteco” é que o ser humano infelizmente nunca está satisfeito. Se adquire uma coisa que há muito queria, por exemplo, logo já almeja aquela outra coisa, melhor, diferente da que tem. O famoso ditado “a grama do vizinho é mais verde”. Essa cultura provavelmente nasceu com o capitalismo exacerbado que vivemos hoje. E sim, se tornou “cultura”, pois é um comportamento absolutamente comum da maioria das pessoas.

O que devemos refletir a partir disso é que, mesmo que o assunto deste texto tenha se iniciado pelo tema relacionamento e se transformado em capitalismo, nada mais é que uma lógica comum a ambos: o desejo pelo que não possuímos.

Precisamos aprender a dar valor àquilo que temos, às pessoas que nos querem e nos fazem bem. Dar oportunidade a elas de mostrarem o quanto podem fazer por nós e o que nós podemos fazer por elas. O verdadeiro amor é construído! Tanto aquele avassalador, que nasceu do desejo, quanto àquele que não havia reciprocidade mútua a princípio (redundância proposital!). Precisamos entender que a vida é muito curta pra vivermos levianamente e desperdiçando oportunidades que podem ser únicas. E a magia de “ser” humano é se relacionar e interagir com outros humanos, afinal, ninguém consegue viver sozinho.

Dê oportunidades! Permita-se sentir! Abra o seu coração a novas possibilidades. Esteja inteiro em suas relações. VIVA! NÃO SE PRENDA, a menos que tenha certeza que seja a pessoa certa. Se descobriu que aquela não é, parta pra outra! A vida é uma só, e particularmente considero um desperdício quando ela não é vivida intensamente.


Ruth Cecily

domingo, 14 de junho de 2015

Não preciso de muita coisa para ser feliz

Imagem do google

Casa na praia com uma rede calculadamente posta na varanda de frente para o mar. Uma taça de tinto suave enquanto vê os filhos correndo pelo corredor da cozinha e o cachorro brincando no quintal. Na garagem, a cabine dupla esperando pra cair na estrada com a família e tudo mais que foi conquistado, gota por gota de suor laboral. Um bom sonho de longo prazo. Pelo menos pra mim, que não tenho nem a escritura do meu quarto, paladar para destilados, mal mal um popular na garagem e a menor pretensão urgente de gerar prole. Enquanto os meios não são viáveis para concretizar esta imagem comum de felicidade, eu faço o que? Luto dia a dia, dando minha saúde como moeda de troca no meu trabalho, me privando de momentos de lazer (que serão muito gozados em alguns anos) e vendendo meus valores para a hierarquia corporativa do poder. Tudo isso em busca de uma conta bancária que me possibilite conquistar um estado de espírito pleno na meia idade. Não, pensando bem, não. É muito autossacrifício pra mim. Eu não preciso disso para garantir meu sonho de felicidade. Na verdade, eu nem tenho o sonho de ser feliz. Felicidade não é um objetivo de vida pra mim. É consequência do cotidiano. Na eterna tentativa de transferir a responsabilidade das suas vidas para fatores externos, as pessoas transformaram o sentimento em utopia. Enxergam-no como um objeto único, do qual só são dignas as pessoas adeptas do "fazer por merecer", obedecendo a valores morais e regras sociais. Caminham a vida inteira, numa obsessão insana de chegar a um destino que não existe: a felicidade absoluta e inabalável. E quando as pernas chegam à exaustão, encontram justamente o contrário: frustração, impotência e a persistente sensação de insatisfação. Não que eu não esteja suscetível a isso. Inclusive bato de frente com estes percalços emocionais o tempo inteiro. Aliás, nenhum mortal consegue fugir disso. Que bom! Porque a graça da vida é essa oscilação de estados de espírito, com altos e baixos extremos. E não quer dizer que isto nos torna meros agentes passivos das ações do acaso. Pelo contrário, quando aceitamos que não existe a invulnerabilidade ao que é negativo, encontramos uma brecha para estimular proatividade e combater com o positivo. E as armas são mais acessíveis do que todo mundo pressupõe. Elas estão penduradas na parede do cotidiano. O lance de ser feliz está em reconhecer o que te faz bem em cada acontecimento do dia a dia. Os mesmos que são banalizados sob o pretexto da rotina. São eles os responsáveis por minimizar, mesmo que ministrados em doses homeopáticas, o estrago de uma surpresa negativa. Quando se dá abertura para relaxar com um café no meio do dia, comemorar uma conquista pequena no trabalho ou rir de alguma trivialidade qualquer, não há humor perdido. Tenho orgulho de dizer que, em toda a minha vida, nunca me senti infeliz. Triste, insatisfeita, decepcionada, com certeza. Mas infeliz, não. Ainda que a minha felicidade esteja em uma casa de porão de um cômodo, com canções de violão no sofá, TV ligada no futebol das quartas e domingos, e uma barra de chocolate a tiracolo. Casas de praia, transporte tamanho família e filhos ainda são apenas adicionais supérfluos. 

Tetê Magnani

sábado, 9 de maio de 2015

Troco meu bolo de casamento por um brigadeiro de panela



Não gosto de glacê e nem de pasta americana. Apesar de ser muito bonito, elaborado e personalizado, sempre peca no sabor. Também não tenho louça de porcelana de luxo para fazer jus à essa perfeição estética. Sem contar o preço que estes engenheiros da confeitaria cobram pra levantar dois andares de isopor e um de bolo de verdade. E, mesmo assim, acaba sendo muita coisa pra duas pessoas. Minha geladeira é de solteiro e não cabem os restos. Ah, e sequer tenho espaço no móvel da sala para colocar os noivinhos, reproduzidos à minha semelhança em cabeções de biscuit. Em compensação, tenho um armário satisfatório de panelas, que suportaria tranquilamente empilhar mais uma. Ela teria um lugar reservado de fácil acesso para eu ter em mãos sempre que fosse receber uma visita credenciada a esquentar meu pé gelado, embaixo de um edredom em dia chuvoso. Desconheço alguém que não se renda a um brigadeiro nesta circunstância. Eu não só me rendo, como troco, sem pensar duas vezes, o meu futuro bolo de casamento por porções vitalícias de leite condensado com Toddy e manteiga. Ainda mando vestido de noiva, decoração da festa e convites de brinde para quem quiser entrar no negócio. Não me entenda mal. Não é que eu abomine casamentos. Só acho que o 'felizes para sempre', que segue o 'pode beijar a noiva', não é uma verdade absoluta. Cansei de ver solidão em casais oficializados pelos votos do matrimônio e união exemplar em outros, julgados por viverem na informalidade social. Mesmo sabendo que existem exceções (e este texto não é para elas), nunca fui adepta a fórmulas. Para mim, valem mais as experiências curtas e intensas, do que a estabilidade duradoura e fria. Essas mesmas, entre duas pessoas, que ficam cada vez mais escassas quando as regras do Manual de Instruções para Casados entram em vigor. Uma tarde de inverno, TV ligada na Sessão da Tarde e uma panela de brigadeiro quente para dois. Simplicidade que agrada ou trivialidade que irrita. Depende de quem interpreta. Desculpem-me os especialistas em bolos de casamento, mas, para esta solteira aqui, vocês jamais conseguirão superar o toque do chocolate queimando a língua de quem não aguentou esperar pra lamber a colher. Não há frutinhas exóticas, recheios com ingredientes selecionados ou uma massa leve como algodão doce que tire o meu prazer de detonar uma panela cheia de brigadeiro. Porque o que faz dele especial é justamente o fato de que poucos e simples itens são o necessário para produzir aquele sabor sensacional, degustável com prazer por todo mundo. Na minha concepção, ele é a incorporação gastronômica de como deve ser o amor. Fundamentado na essência de quem o compõe e não na estética do produto final, ostentável em redes sociais e mesas de almoços familiares. Seja dividido entre namorados, amigos coloridos, enrolados, ou quaisquer outros dentre os infindáveis tipos de relações, ele é a representação da única coisa que mantém os amantes conectados: o sentimento puro e cru. Função que uma aliança dourada e um contrato não têm conseguido desempenhar perfeitamente bem. E daí se ele tem potencial para ser efêmero? Quem se dispõe a degustá-lo tem a garantia de que fará bom proveito até a última colherada. Não importa a quantidade. Além do mais, a graça do brigadeiro está aí. Ele não sobra. Sempre é feito na medida para faltar e provocar reencontros. Mas não reencontros obrigatórios por imposição ou por consciência. Quem volta para mais panelada, volta porque quer. Sem neuras e sem responsabilidades. Volta porque curtiu a essência e não porque precisa da convenção. Simplória, eu? Talvez. Hum... Eu diria também: econômica, prática e um tanto egoísta, mas sonhadora. Afinal, que mulher não faz planos para o tão esperado dia de suas vidas? A diferença é que o meu troca o altar por uma viagem histórica pela Alemanha, bancada com os muitos reais que seriam gastos na recepção dos convidados. Acompanhada ou sozinha, não importa. Seria como uma lua de mel comigo mesma, mas menos doce que mel, e tão afrodisíaco quanto um casual e simples brigadeiro. 


Tetê Magnani

domingo, 26 de abril de 2015

Sobre a vida e a felicidade...






"A vida não tem definição - ela simplesmente é um milagre, independente da forma como ela se apresenta"
(adaptado de S.O.S Mulheres ao Mar)

Como é a vida...
Ela se sente no direito de determinar quem vai cruzar nossos caminhos, quem vai mexer com nossos corações... Mas não é a vida que nos guia. Nós guiamos nossa vida. É uma equação simples: ela lhe proporciona as oportunidades e você desfruta delas, da maneira que lhe convém. As vezes enxergamos essas oportunidades, outras não, algumas passam tão despercebidas que nem são consideradas como oportunidades, e outras são recusadas por livre e espontânea vontade. Mas sabemos de fato como viver nossa vida?! Será que sabemos aproveitar ao máximo a oportunidade que nos é concedida a cada minuto do nosso fôlego, a simples possibilidade de viver pelo grande milagre que é existir?! Reflexão complexa. 

Cada um acha sua maneira de viver, muito de acordo com sua personalidade, pelo desejo de liberdade ou por pressão, mas cada um é obrigado a estabelecer como viver e sobreviver! E julgar o modo de viver do outro já é de praxe, um tanto quando contraditória, no entanto não é algo condenável, afinal, por mais que sejamos todos iguais baseados no princípio biológico, de espécie, existem cabeças e cabeças, e reproduzindo o velho ditado - cada cabeça uma sentença... Não deve haver um clichê mais sensato que esse. Acredito que cada um, naquele seu modo individual de ser e viver nada mais busca do que sua auto-satisfação, um projeto torto em rumo a felicidade eterna.

Hoje aprendi que não existe uma fórmula mágica para se alcançar a felicidade. E nunca saberemos se somos realmente felizes, mas devemos sempre nos permitir à alegria de tentar!  


Ruth Cecily


quarta-feira, 26 de março de 2014

"Pode não haver destino, mas há por certo decisão"






"Pode não haver destino, mas há por certo decisão"

(autor desconhecido)


Particularmente não gosto da ideia de que existe o destino. É um pensamento muito romântico da vida. E cá para nós, a vida não é nada romântica. 

Pense bem, se houvesse realmente destino até nossas próprias decisões de certa forma seriam pre-definidas, pelo além talvez, não por Deus, pois Ele nos criou e nos presenteou além do Dom da vida, com o livre-arbítrio, mais uma evidência que pode não existir esse lance de destino. Hoje vejo tal ideia como uma espécie de esperança, de que a felicidade nos aguarda no futuro... E mais uma vez caímos numa contradição. O futuro não existe. Ele nunca vai chegar, afinal vivemos sempre o presente, e o futuro nada mais é que o presente do nosso passado, ou seja vivemos hoje no presente, e esse presente um dia foi o futuro do nosso passado! Parece confuso mas existe uma lógica! O que quero dizer com tudo isso é que não devemos simplesmente acreditar no destino e esperar nosso encontro com a felicidade futura! A oportunidade de se buscar a felicidade é agora.

E para se alcançar essa felicidade? O que fazer? Ahh... Viver! 

"O que faz você feliz? 
Você feliz o que que faz?
Você faz o que te faz feliz?
O que faz você feliz você que faz!"

As vezes confundimos felicidade com a realização de nossos desejos. Podemos satisfazer uma vontade, mas no fim, não nos sentirmos felizes. Ou se sentirmos, dali a pouco essa "felicidade" já passou. 

Felicidade deveria ser uma constante... Talvez seja, mas hoje aprendi que não existe uma fórmula mágica para se alcançar a felicidade, e nunca saberemos se somos realmente felizes, mas devemos sempre tentar!


Ruth Cecily